quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Um simples jantar

Pois é, dei a minha primeira entrevista no mês passado. Uma entrevista a pedido de umas alunas do primeiro ano de Psicologia que estavam a fazer um trabalho sobre doenças neurológicas e queriam falar com uma pessoa que fosse um exemplo de sucesso na vida.
Ora, eu soube disso através do meu fisioterapeuta que mal as raparigas apareceram no ginásio dele, se lembrou de mim. No entanto, não me disse nada. Pura e simplesmente combinou com as raparigas um dia e elas passaram por lá para me conhecer.
Demorei um pouco a aceitar pois tive um certo medo das perguntas a que iria estar sujeita, mas sim! Aceitei e na semana seguinte lá estava eu nervosissima mas pronta e receptiva a quaisquer questões.
Digo - vos que as perguntas não eram nada simples. Tive que recordar muitas experiências anteriormente passadas, dai ter sido bastante duro. Mas mais uma vez me superei a mim mesma e ás minhas expectativas em relação áquela "prova".
Mais uma etapa da minha vida vencida com todo o sucesso e empenho, pois expor - me á sociedade sempre foi algo que eu queria fazer mas não me sentia preparada psicologicamente.
O balanço foi extramamente positivo. É que depois consegui juntar meia dúzia de amigos e falar abertamente sobre mim. Vi um empenho muito grande da parte deles ao terem vindo cá partilhar este momento de reflexão Senti que sim, que realmente tenho um grupo de amigos fantásticos com os quais posso sempre contar. Esta reunião foi a prova disso mesmo!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Dia Mundial do Cidadão com deficiência

Hoje é o dia Mundial do Cidadão com Deficiência! Odeio estes dias. Quer dizer, existe mais de um milhão de deficientes em Portugal e só hoje, só neste dia que eles existem. Por amor de Deus. Estamos a falar de uma grande porção de população que fica literalmente esquecida, posta para segundo, para não dizer quinquagesimo plano. Mas que é isto??
É só neste dia é que se lembram que se tem de fazer alguma coisa para mudar este nosso País?Pior esta nossa misera cidade que é pró em barreiras arquitectónicas...Que tristeza
Esta sociedade pensa que é á custa de um outro programa televisivo a dar uma vez por ano que algo vai mudar e então hoje, unica e exclusivamente hoje resolvem abordar o tema da deficiência...mas com muito cuidado porque pode ferir mentalidades, susceptibilidades....
Estas e outras questões são as que uma cidadã com deficiência como eu, e tantos outros com os mais diversos handicaps se deparam todos os dias no seu quotidiano, não é hoje. são todos os dias.....
Não é com dias mundiais que vamos mudar algo pois 24h por ano não chegam para nada, não servem de nada. Sim, porque amanhã já é outro dia que não o do cidadão com deficiência por isso já nada se faz. Já ninguèm se lembra que este país está um caos, já ninguém se lembra que a diferença existe e que se tem de lutar pela igualdade de direitos e oportunidades.

domingo, 30 de agosto de 2009

Devaneios

Passei muito tempo sem escrever porque não tenho tido muita inspiração...Será que já não sai nada de jeito?? A falta de hábito e prática dá nestas coisas, não é verdade?
Pois agora chegou a altura de pensar por mim, deixar - me levar por aquilo que realmente me faz feliz. Sempre quis ser uma pessoa independente e agora, após vinte anos resolvi tratar disso: ter vida própria, viver por mim e desprender - me, aos poucos dos meus pais.
Esta sensação de autonomia, de liberdade é muito estimulante. Retirou a monotonia dos dias, a rotina do costume. Aos poucos vou - me sentindo cidadã do mundo, vou dando voz á minha consciência e libertando a angústia que há em mim. Ao me sentir assim, vou conquistando pequenas coisas pelo facto de me fazer ouvir como pessoaa. Porque "a falar é que a gente se entende"

domingo, 10 de maio de 2009

9 de Maio de 2009

O titulo corresponde a um dia que vai ficar para sempre marcado dentro de mim.
No sábado fui passar o dia a uma iniciativa chamada AJUTEC - feira de ajudas tecnicas na Exponor.
Esta feira acontece ano sim, ano não no Porto durante três a quatro dias no máximo. E eu nunca tinha ido. Este ano fui e adorei. Adorei não só pela diversidade de apoios e ajudas que lá encontrei a nivel tecnológico, como também a nivel humano
Pronto, vi montes de cadeiras eléctricas de todos os géneros e feitios. Diversos apois e mobilia adaptada muito interessante e bonita. Estou a realçar a beleza porque é muito raro encontrar - se móveis que conseguem conjugar a utilidade com a estética. Isto já para não dizer que mal lá cheguei deixei a minha cadeira de lado e percorri a feira de cadeira eléctrica!!!
Ou sej, senti - me a mulher mais livre e independente do mundo. É preciso estar a par das novas tecnologias e irmos - nos actualizando ao máximo. Tão excelente sensação estará a chegar dentro de semanas!
Mas para além disso, este dia foi muito marcante porque consegui conhecer o significado de igualdade, igualdade de circunstâncias, igualdade de dificuldades.
Este lado do mundo e de pessoas sempre foi um pouco vedado na minha vida. Por isso é que ás vezes me sinto um tanto ou quanto inibida quando me deparo com os mais diversos handicaps. Mas desta vez não. Foi com toda a naturalidade que conheci novas pessoas, partilhei experiências e me senti lindamente. Senti - me igual. Adquiri novos contactos e novas amizades. Venham mais e mais oportunidades que eu estarei lá sempre!
"Todos diferentes, todos iguais" Pensem nisto!

quinta-feira, 26 de março de 2009

Decisões, para que??

Quando era mais nova era tudo tão simples, tao fantástico. Achava que tudo tinha uma solução rápida e prática. Tinha quem decidisse por mim. Será bom ou mau?
Boa pergunta, ás vezes eu fico tão confusa que o meu maior desejo é pedir alguém que decida, que me tire aquela missão tão grande que é a tomada de decisão.
No entanto, sei que chegou a altura de ser eu a tomar conta de mim, altura de seguir um caminho diferente daquele que muita gente está a espera. Independência é a palavra de ordem neste momento da minha vida. Porque embora possa não parecer vinte anos é muito já. É tempo de seguir um novo rumo, em frente sempre! Mas a viver bem e feliz que é isso que toda a gente procura...e isso faz - se ao longo deste caminho ingreme e duro que é a nossa existência!

segunda-feira, 2 de março de 2009

És feliz?

Esta pergunta não assim tão linear como se pensa, ou seja o conceito de felicidade, para mim, é muito relativo e dificil. Porque a vida é composta por momentos e pessoas que nos fazem felizes, que nos fazem sentir bem.
A felicidade é isso mesmo, saber retirar partido de pequenas coisas, essas coisas minimas que nos fazem seguir o nosso caminho em frente. Ora, eu posso dizer que tenho momentos muito felizes, que vivo rodeada de pessoas maravilhosas e que me fazem ver que a vida pode "sorrir". É como tudo, temos fases boas e más, nomentos alegres e tristes.
No entanto, nós quando algo nos corre mal, quando a vida não nos consegue "sorrir" é porque algo está mal em nós. Dai devemos conseguir tirar lições e ver que erramos, só assim conseguiremos melhorar o nosso "eu"
Para mim, ser feliz é conseguir afirmar - me como pessoa e essa afirmação ser reconhecida pelos outros. É este o ciclo de vida: fazermos coisas que nos agradem e que depois sejam vividas pelos outros e reconhecido o seu valor, é atingir os objectivos a que nos propomos. Sem objectivos não há vida, há vazio!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Experiencia de vida


Por vezes ouço comentários do género "Não tens experiência de vida nenhuma para estares a dizer isso!" Ora, isto põe - me a pensar se sou eu que não tenho essa experiência ou se são as pessoas que não a têm! Grande questão para pensar, não acham?

Pois, eu ás vezes interrogo - me sobre isto...Eu sei que eu tenho a penas vinte anos de vida. É muito pouco, também sei...Mas agora pensem, pensei nas vivências que uma pessoa com uma deficiência motora de vinte anos, como eu poderà já ter tido. A que conclusão chegam? Os inteligentes, com "dois dedos de testa!" pensam que realmente eu e toda a gente com qualquer tipo de handicap já vivemos tanto, mas tanto que é dificil outro tipo de pessoas chegarem lá... Aprendi tanto nesta minha pequena vida...E dai esta minha visão do mundo, madura demais por vezes. Dai eu ser indiferente (e digo sem qualquer tipo de problemas) aos chamados "problemazinhos".

Sim, esta sociedade preocupa - se muito e vive muito pouco, não dão valor a uma conversa de geito sobre um tema de geito. Pensem e deixem de ser assim: mesquinhos e futéis. Aprendam a dar valor aquilo que devem e preocupem - se sim mas pf, com coisas que mereçam a nossa dedidicação e o nosso tempo!